Sexta-feira, Outubro 03, 2003

A Guernica de Picasso, a propósito da subjectividade 

Falámos disto na turma 11ºD, se não estou enganado. A propósito dos conceitos de objectividade e de subjectividade. Como bem se recordam, dissémos que "objectivo" deriva de "objecto" e "subjectivo" de "sujeito". É objectivo aquilo que é determinado exclusivamente pelo objecto, é subjectivo aquilo que resulta da actividade do sujeito. Em termos gerais, a ciência é objectiva porque os cientistas valorizam, acima de tudo, os fenómenos que estudam, desprezando as suas convicções individuais. A subjectividade é a condição de um sujeito que avalia a realidade a partir das suas perspectivas particulares, do seu interesse, do seu gosto pessoal, etc. Por exemplo, as dimensões de um objecto podem ser medidas com objectividade, mas o seu valor estético ou artístico depende só do meu gosto pessoal.
Por isso falámos da Guernica de Pablo Picasso. Este quadro (cliquem no link à esquerda) não se pode separar da sua história. Picasso pintou-o em Paris depois de saber que a pequena cidade do norte de Espanha tinha sido bombardeada freneticamente pela legião Condor da Força Aérea Alemã. Era um objectivo civil mas a destruição foi imensa. Por isso Picasso, depois de várias tentativas, acabou por pintar uma tela de dimensões gigantescas (procurem as dimensões no sítio) com várias figuras desconcertantes. Uma mãe que grita enquanto segura o seu filho morto, um soldado que segura a espada e a flôr, para além de uma grande quantidade de elementos simbólicos. Reparem que este quadro parece que nos grita aos ouvidos. Não é bonito, porque um quadro bonito sobre a guerra seria uma contradicção em termos. Na verdade este quadro é chocante, tal como a guerra é a mais dolorosa das realidades humanas, quando a observamos desde o ponto de vista do homem comum, do ser isolado, do soldado, da mãe que perde o filho ainda criança.
Um dia, se forem ao Centro de Arte Rainha Sofia, em Madrid, onde este quadro se encontra rodeado das mais rigorosas medidas de segurança (porque há malucos para tudo), verão como a sua presença é impressionante. Mas despachem-se, porque a Guernica do Picasso está a degradar-se continuamente. Os estudos mostram fissuras por todo o lado. Qualquer dia em vez do quadro, estará lá uma tela de cristais líquidos reproduzindo em tamanho natural a obra imortal do pintor de Málaga.





Quinta-feira, Outubro 02, 2003

Para que não digam que a Lógica é uma batata... 

Noção ou conceito de Lógica
Vamos fazer o percurso de fora para dentro, salvo seja: se aceitamos que a linguagem que falamos e a escrita com que comunicamos só são eficazes na medida em que cumprem regras precisas de sintaxe - sem um acordo acerca das regras do código que utilizamos não haveria comunicação - então o pensamento também se estrutura sintacticamente. Ao longo da História muitos homens pensaram sobre o assunto (não pensem que nós somos os primeiros...). Por exemplo, o velho Aristóteles, para além de ser episodicamente comentador desportivo (ver post de ontem), escreveu uma obra tão importante sobre as regras do pensar (o Organon, não confundir com...) que ainda hoje estudamos alguns dos seus enunciados. Por isso é que se chama Lógica Aristotélica (esta era difícil descobrir). Curiosamente o termo "Lógica" só seria inventado 5 séculos depois.
Mais vezes do que deverí­amos utilizamos esse termo e quase sempre de forma indevida. Reparem, se eu digo "este caso não tem lógica nenhuma" ou "isso não tem lógica", estou provavelmente a querer dizer que certa situação é absurda e não faz sentido, à  luz das expectativas ou das convenções. Mas a lógica não se aplica às situações do dia a dia, como sabemos. As coisas não acontecem necessariamente como esperamos que aconteçam, os homens são livres de fechar o guarda chuva mesmo se está a chover ou de gritar "Terra do Fogo" em vez do nome certo da estação. Acontecem acidentes, há imprevistos e o diabo a sete...
Por isso dizemos às vezes que "a lógica é uma batata". Também podia ser uma cenoura ou uma couve lombarda. É igual. Esta afirmação só pode querer dizer que frequentemente esperamos que aconteça uma coisa, que nos parece certa, e depois acontece o seu contrário. Que esperamos uma reacção determinada de alguém que conhecemos e depois o resultado vai contra todas as expectativas e previsões. É o que parece dizer o Fernando Alonso, a estrela em ascenção da Fórmula 1, quando diz numa entrevista que o Jorge do 11ºD me emprestou, que "o mais lógico era procurar ganhar corridas em 2004 e esperar pelo resultado final, mas ultimamente a lógica não se tem imposto muito." Mas há alguma lógica na Fórmula 1? Tanta como numa batata.
Para acabar deixo aqui, por antecipação (isto é que é serviço público), um conjunto de definições do conceito de Lógica.

"Estudo das leis do pensamento"
"Estudo das condições da verdade ou das condições FORMAIS da verdade"
"Ciência das FORMAS do raciocínio"
"Disciplina que analisa a significação dos conceitos comuns a todas as ciências e estabelece as leis gerais que governam os conceitos"
"Estudo de certas palavras tais como: "ou", "não", "e", "se... então", "implica", "tudo", "contém"
"Ciência que tem por objecto o juí­zo de apreciação enquanto se aplica à  distinção do verdadeiro e do falso"
"Ciência que estuda os princí­pios gerais do pensamento válido."
"Estudo dos meios para discernir entre as inferências (argumentos) válidas e as outras."

Em Síntese:
"A Lógica como estudo das condições de coerência do pensamento e do discurso."
"A Lógica pode definir-se como a teoria das condições do raciocí­nio FORMALMENTE VÁLIDO."

A Cidade dos Anjos, aliás As Asas do Desejo 

Estive a procurar informação sobre os dois filmes - quer sobre o filme de Wim Wenders, quer sobre o outro... da Meg Ryan. Não é de grande qualidade o que encontrei mas vou deixar os links aqui na coluna da esquerda.
Sobre o "nosso filme", devo dizer que apenas pretendi explorar um dos aspectos, e nem sequer o mais importante, da obra do realizador alemão. Há uma literatura abundante sobre as criaturas angélicas. Se existissem anjos (para além de não terem sexo nem precisarem de andar de automóvel) poderiam "ouvir" os nossos pensamentos. É o ideal da telepatia... Ora o que acontece no filme é que os Anjos deambulam pela cidade dividida, Berlim, dando protecção espiritual, cuidando e observando os homens, expostos à mais descarnada solidão (lembrem-se da cena do metropolitano). Para uma dessas criaturas o pensamento de cada homem é puro discurso, como se fosse um acto verbal, mas circunscrito à esfera mental. Cumprindo todas as regras da sintaxe... etc. É aqui que eu quero chegar. O Pensamento já está dotado de uma sintaxe, sem a qual seria pouco mais do que um turbilhão... e às vezes é. A essa sintaxe do pensamento válido podemos chamar Lógica.
Já agora, encontrei uma declaração do realizador, Wim Wenders, em que explica porque escolheu Berlim para fazer o filme: "Nenhuma outra cidade é tão forte como símbolo, quanto lugar de sobrevivência. Berlim é tão dividida como a nossa época, como são homens e mulheres, jovens e velhos, ricos e pobres".
Estas palavras, provavelmente com mais de dez anos, continuam actuais. Vivemos num mundo global cada vez mais dividido. Mas isso é outra história, para outro post. Ciao.

Estou convocado (para o EURO 2004)... e vivam os Galácticos 

Recebi uma carta de Luis Felipe Scolari (que assina familiarmente como Felipão) a informar-me que também fui convocado para o EURO. O Vitor Baía terá recebido também uma carta como a minha? Se o campeonato da Europa começasse mais tarde até aceitava, mas assim não sei. As aulas acabam em plena 1ª fase e todos sabem como o final de um ano lectivo é uma coisa complicada.
Acabei de ver o FCP - Real Madrid e pareceu-me um bom jogo, cujo resultado não reflecte completamente a boa entrada do Porto. Mas se só existe futebol no planeta Terra (coisa de que duvido), então o Real Madrid não é apenas a melhor equipa da galáxia mas de todo o universo. Até parece que é fácil correr no campo com a bola colada à biqueira e chutar para um ângulo impossível...
Como dizia o velho Aristóteles (de que falámos, de passagem no outro dia a propósito do conceito de sabedoria e de sábio) "tal como nos Jogos Olímpicos, não são os mais belos e os mais fortes que são coroados [e vencem], mas aqueles que combatem". Ou seja, não ganha quem é melhor ou quem merecia, ganha quem luta por isso. Este comentário desportivo (eu não vos disse que o Aristóteles falava de tudo e escrevia acerca de tudo e mais alguma coisa?) vem num livro sobre a Amizade.
Por falar em amizade: deixo aqui os parabéns ao professor Pacífico, que é um adepto do Real Madrid. Como eu...

Quarta-feira, Outubro 01, 2003

"I Have a Dream... today!" 

"Free at last! free at last! thank God, we are free at last!"

Aqui fica, porque me pediram, um excerto do famoso discurso de Martin Luther King proferido nas escadarias do Memorial a Lincolm, em Washigton D.C. a 28 de Agosto de 1963. Passaram agora 40 anos...
Luther King protagonizava naquela época uma luta pacífica pelo respeito dos direitos civis dos negros norte-americanos. Este discurso, conhecido pela expressão que repete pelo menos 9 vezes - I Have a Dream - é uma peça admirável de oratória. Se a situarmos no seu contexto, ela ganha toda a força e significado de que se fazem as grandes causas da Humanidade. E num certo sentido este discurso e a sua exigência de justiça - e a convicção que transmite na possibilidade de um mundo melhor - são universais.
Falámos de Luther King a propósito de exemplos que dei do discurso, no sentido formal, como um "acto protocolar durante o qual se proferem, com alguma solenidade, um conjunto de afirmações destinadas a produzir efeito junto de um determinado público ou auditório". Exemplos de discursos, com esta dimensão solene, há muitos. Mas poucos ficaram tanto no "ouvido" do século que passou. Deixo aqui as palavras finais (numa tradução que me parece pouco conseguida) e podem ler todo o discurso de Luther King se clicarem sobre o link que se encontra na coluna da esquerda. Estão a ver?
I Have a Dream, Discurso de Martin Luther King

"E quando isto acontecer, quando nós permitimos o sino da liberdade soar, quando nós deixarmos ele soar em toda moradia, em todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras do velho spiritual negro, 'Livres afinal, livres afinal. Agradeço ao Deus todo-poderoso, nós somos livres afinal'."

Terça-feira, Setembro 30, 2003

"Pssst, Pssst... importa-se de me dizer se sabe pensar?" 

Deixo aqui no blogue o nosso primeiro texto de aula. Pode ser que alguém o tenha perdido... e para já fica bem guardado. Ora este texto, que eu usei no meu 1º ano de professor de Filosofia (foi no século passado) é da autoria, salvo erro, de João Sousa Monteiro. Afinal, não é, como afirmei numa das turmas, do pai da mais bela deputada da Assembleia da República. Esse é outro. Desculpem lá a gaffe.
A propósito, alguém fez a experiência imaginada neste texto? Alguém se aproximou sorrateiramente de uma vítima indefesa... desculpem, de um transeunte desatento e lhe colocou a questão "com a mesma naturalidade com que alguém pede lume ou troco de 20 cêntimos"? Espero que não tenha havido represálias. Aceito os vossos depoimentos. Ir ao mail...
Aqui fica o texto.


IMPORTA-SE DE ME DIZER SE SABE PENSAR?

Imagine que um dia alguém se aproxima de si na rua e em vez de lhe perguntar polidamente as horas, ou aonde é que ficava a rua tal, lhe perguntava, com a amior naturalidade:
- Importa-se de me dizer se sabe pensar?

Imagine, com a maior realidade que puder, que essa pessoa lhe pedia que a ajudasse a pensar, exactamente com a mesma naturalidade com que lhe pediria lume ou troco de vinte escudos.

Imagine que lhe faziam essa pergunta assim, na rua, ou em qualquer outra circunstância, e tente avaliar pela sua surpresa ao recebê-la e ela resposta que eventualmente lhe daria, o que é que pensa a respeito da necessidade de saber pensar; se alguma vez teve dúvidas sobre se sabe ou não pensar, ou quantas vezes, e exactamente de que maneira, é que o problema se lhe pôs.

Pode achar estranho que essa pergunta lhe fosse posta assim, numa situação ocasional de rua. Seria de qualquer modo curioso saber ao certo porque é que seria estranho, e não é estranha a situação contrária, isto é, a situação real - em que ela nunca se lhe pôs, nunca se lhe porá.

Mas pode sossegadamente recolocar a mesma questão em relação aos jornais; ás revistas, ao cinema, às reuniões com os seus amigos, à generalidade das universidades, à esmagadora maioria dos livros. Pode procurar activamente em todas as situações da vida ordinária - em todas as situações comuns ou invulgares da vida ordinária - qualquer ocorrência explícita dessa questão. Pode procurar activamente - mas procurará em vão.

Penso, logo desisto.

Penso, logo desisto - dizia recentemente um jovem matemático. E desisto, porque, obviamente, não sei pensar.

Para além de um pequeno número de operações mais ou menos mecânicas; para além de uns resultados, mesmo criadores, que por vezes se conseguem, fica um mundo interminável de coisas perdidas na penumbra da incompreensão - e essas são, muito possivelmente, as mais importantes.

A matemática ainda se compreende. A Física, a Química, a generalidade das ciências ditas exactas, progridem, e em geral de uma forma surpreendente.

Mas quando se trata de compreender o homem; quando se trata de compreender a morte, a agressividade, o medo, o amor; quando se trata de nos compreendermos a nós próprios - vejo-me forçado a desistir.

Poucas pessoas terão alguma vez na vida perdido um minuto do seu sono a pôr, ou a tentar resolver, explicitamente, essa questão. Mas todas as pessoas perderam - e perdem continuamente - muito mais do que um minuto, uma hora ou uma noite inteira do seu sono, por não saberem pensar - por não quererem saber pensar.

Quero filhos, quero vodka, quero um ideal; quero uma casa no campo, quero um gurú, quero um bife de lombo, quero a eternidade, quero um perfume francês - mas nunca ouvi da boca de ninguém, isto:
Quero saber pensar.

Penso, logo desisto.

João Sousa Monteiro

Segunda-feira, Setembro 29, 2003

Aqui vai a primeira parte do Programa da nossa disciplina 

1- UNIDADE DA LÓGICA
O UNIVERSO DA LÓGICA
1. o pensamento e o discurso
1.1. Noção e objecto da Lógica
(1.2. A História da Lógica)
1.3. As dimensões do Discurso
(1.4. A Lógica e a inteligência artificial)

Depois desta Introdução teremos o ponto 2, onde trataremos da lógica, com exercícios, definições e outras surpresas. Não confundam: O ponto 2 do programa (consultar manual, página 7) que se chama A Lógica na Tradição Filosófica é dado em alternativa ao ponto 3, que se chama Lógica Moderna. Nós daremos o ponto 2, apenas. Terminado esse longo capítulo do programa passaremos ao ponto 4, Argumentação e Comunicação.

Para já, vamos concentrar-nos no primeiro segmento, na primeira sub-unidade. Estamos neste momento a tratar de definir os conceitos de Pensamento e de Discurso. Já vimos que são de algum modo complementares. O que é Pensar? Este foi o nosso primeiro grande problema. Outros se seguirão... prometo. Antes que me esqueça, reparem que os pontos 1.2 e 1.4 não estão a negrito e encontram-se dentro de parentesis. Esses dois pontos terão da nossa parte, profes de Filosofia, um tratamento abreviado.
Em breve deixarei aqui alguns dos textos que já utilizámos nas aulas.
Sempre que queiram podem fazer perguntas. Usem o meu mail. Há uma caixa de mensagens algures por aqui. Procurem. A única pergunta proibida (mesmo no blogue) é: Podemos sair?

Amar A Mar, ou a JB no espaço FNAC de Almada 

Foi uma noite de 5ª feira muito animada, no espaço da FNAC de Almada. O professor José Rabaça, que já deu aulas de Português na JB, lançou um livro novo. Chama-se A Mar e pretende fazer uma justiça que a lí­ngua portuguesa e o entendimento humano persistem em recusar: que o nosso planeta, que está em grande parte coberto de água, se chame a Mar e não a Terra. Os espanhóis, que são mais avisados nestas coisas, dizem La Mar, quando querem falar do mar e utilizam o substantivo Mar como um superlativo. Por exemplo: "Hacer la mar de bien..." Mas a história é outra.
O lançamento do livro, que de facto existiu primeiro numa versão virtual, digamos, envolveu muita gente da JB e de fora. Leituras de poemas do livro por parte de alunos e ex-alunos, uma breve intervenção do padre Francisco Fanhais (porque será que ainda chamamos padre ao padre Fanhais?) que cantou quatro ou cinco temas, e o autor num diálogo constante com a audiência composta por alunos e ex-alunos da JB (que foi bom rever, por exemplo ao tempo que eu não via o Pedro Bernardino), por alguns colegas e familiares do poeta. Ah... também participaram alguns ex-alunos da JB, da primeira geração dos Poetas e Trovadores, mas não percebi se eram os Poetas ou os Semeadores.
O que é importante? Que este livro, de que a FNAC tinha bem poucos exemplares, foi editado como e-libro por uma editora latino-americana. O processo é simples. O livro é devidamente editado como conteúdo, na rede, e a editora apenas imprime os exemplares que lhe são encomendados. Do suporte electrónico ao papel não há desperdícios, não há sobras.
O mestre Rabaça disse-nos que vem aí outro livro a caminho: chama-se a Feira. Ficamos à  espera e já agora que se resolva o mistério. Quem actuou naquela noite no espaço da FNAC...?

Chegou o Ranking das escolas... 

Era inevitável. Pelo terceiro ano consecutivo, no final de Setembro, a coincidir com o arranque do ano lectivo, o Ministério da Educação publica informações quantitativas extraí­das dos resultados dos exames de 12º ano da 1ª fase. Este ano a informação foi fornecida em bruto, tendo os jornais trabalhado os resultados de acordo com critérios que consideraram os mais adequados. Por isso as conclusões não resultam propriamente num ranking único, mas num conjunto variado de quadros de acordo com as opções editoriais de cada jornal. Eu quando saí­ no sábado, para comprar os jornais e o pão, não imaginava a quantidade de papel que traria para casa. Para tomar conhecimento de todas as perspectivas, comprei o Público, o Diário de Notí­cias e o Correio da Manhã.
E onde está a João de Barros no campeonato das escolas (são 615 a ní­vel nacional)? Infelizmente a leitura, ainda que apressada, dos jornais não permite grandes euforias. No Correio da Manhã a JB aparece na posição 378 (ou seja na segunda metade) com uma média de exame de 101,54. Podia ser pior. Mas não é um bom resultado. O mesmo jornal estabelece um ranking da Área Metropolitana de Lisboa. Em 156 escolas a JB fica na posição 101. Considerando o concelho do Seixal, a nossa fica situada na lista depois da Alfredo Reis Silveira (posição 49), da Manuel Cargaleiro (posição 58), da Moinho de Maré (posição 84). Depois de nossa só a Secundária da Amora (posição 118) e a José Afonso (posição 132). Considerando as escolas do concelho de Almada, ainda de acordo com o mesmo jornal - Correio da Manhã - 8 das 11 escolas desse concelho situam-se antes da João de Barros.
O Jornal Público, com critérios um pouco distintos, coloca a nossa escola na posição 384 (ainda mais abaixo) e com uma média de exame negativa, de 9,7. Mas no conjunto das escolas do concelho nós ocupamos em seis não a posição 4 mas a posição 3.
O pior vem com a lista do DN. Com uma média de exame de 9,14 somos a 5ª escola do distrito de Setúbal... a contar do fim. Em 43 escolas ocupamos a posição distrital 43. Nenhuma escola de Almada ou Seixal está atrás da nossa. O mesmo jornal, numa lista ordenada, onde identifica as 100 escolas com as piores médias de exame, coloca a João de Barros na posição 75. À frente temos a escola da Bela Vista, a mais mal classificada, com uma média de exame de 6,91. No caso da João de Barros a posição 75 quer dizer que a diferença entre a Classificação Interna Final (CIF), que os alunos obtêm no final do IIIº perí­odo e a Classificação de Exame (CE) há um enorme abismo de... 3,36 valores. O que quer dizer que os alunos, depois de uma razoável classificação interna final... vão por aí­ abaixo no exame nacional.
E agora que fazer com estes ranquingues? Eu faço uma sugestão, já para o próximo pedagógico, aliás como fiz no ano passado. Estudá-los, discuti-los e tirar as conclusões devidas. Só lamento que nos anos anteriores a João de Barros tenha passado por estes dados como "cão por vinha vindimada" e tenha dormido na forma. Reflexão: zero. Discussão: zero. Soluções inovadores: zero. Neste ranking também não ficariamos em boa posição.

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